Espiritismo – Capítulo 01

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Querer explicar:

A razão de existirmos;
O funcionamento da realidade;
O sentido da vida e o seu aperfeiçoamento
é um objectivo bastante difícil…

As primeiras noções que recebi do ESPIRITISMO causaram-me a impressão de que – com o esclarecimento dessa visão do mundo – era possível encontrar a resposta clara para essas três questões cruciais. Por outro lado produziram em mim um tão enorme entusiasmo e uma tão grande fé e confiança no futuro, que me atrevo a vir aqui divulgar uma visão breve e simplificada do mesmo.
Não se trata de apresentar uma nova religião com rituais, clero hierarquizado, dogmas e ortodoxia, mas sim de esquematizar: uma cultura abrangente com carácter filosófico, método científico e objectivos morais.

PRIMEIRA NOÇÃO ESSENCIAL

O espiritismo baseia-se no conhecimento do contacto com o mundo dos espíritos, ou seja, na COMUNICAÇÃO COM O OUTRO LADO DA VIDA, numa abordagem cultural integralmente liberta de  dogmatismo.
Essa comunicação efectua-se, conforme o que está dito mais abaixo, através de um sentido especial de que só são dotadas certas pessoas, o sentido da MEDIUNIDADE.

A dificuldade em entender as características desse sentido especial resulta do facto de ser, ainda assim, bastante raro. E não é compreendido pela maioria, da mesma forma que não poderíamos entender o sentido da vista se fossemos cegos, ou o da audição se fossemos surdos.
Por falta de esclarecimento há até muitas pessoas que possuem esse dom e não têm consciência disso.
Sofrem de certas perturbações, por serem dotadas com o dom da mediunidade e andam a tomar comprimidos receitadas por psiquiatras SEM NECESSIDADE NENHUMA, sendo até prejudicadas por causa disso.

Se procurarem aconselhamento junto de pessoas conhecedoras (ver esclarecimentos mais adiante) poderão evitar tais problemas, visto que a mediunidade é um sentido como a vista ou o ouvido e se enquadra perfeitamente:
– nas LEIS DA NATUREZA;
– na realidade espiritual vivida por muitíssimas pessoas ao longo dos séculos e que permaneceram longe do estudo e do esclarecimento devido às mais diversas razões:

As religiões oficiais são sistemas DOGMÁTICOS de poder fortemente hierarquizado, sujeitam as pessoas a normas rígidas de rituais que se repetem sem esclarecimento concreto da realidade das coisas.
A sua acção tem-se mantido ao longo de séculos, reduzindo a noção de Deus a fórmulas acanhadas de visão quase antropomórfica, que tem conduzido inúmeros fiéis à descrença, quando não ao ateísmo.
Para esclarecer de modo elevado este tema recomendo a leitura da obra “Depois da Morte” de Léon Denis, senão por inteiro, pelo menos a primeira parte “Crenças e Negações”.
A ciência materialista e académica, de costas voltadas para a transcendência do Espírito,  a seu modo também inteiramente DOGMÁTICA, só aceita aquilo que vêem os olhos do corpo, aquilo que pode pesar-se numa balança ou que pode manipular-se na mesa dum laboratório, ignorando – ou fazendo orelhas moucas – ao facto de que toda a estrutura do espiritismo passa por uma abordagem com carácter científico,  fundamentado no método observativo e na experimentação aferida com toda a isenção e critério intelectual.

Em que é que se baseia o espiritismo?

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O espiritismo baseia-se fundamentalmente no conhecimento, devidamente metodizado há cerca de 160 anos, em Paris, por Hippolyte Leon Dénisard Rivail (aliás Allan Kardec) – Vidé também o Capítulo II – depois de estudados e coligidos os resultados de inúmeros contactos estabelecidos com o MUNDO DOS ESPÍRITOS, por intermédio de pessoas dotadas dos necessários dotes mediúnicos para esse efeito.

  • A colheita desses testemunhos não foi feita ao acaso, mas sim com metodologia aferida pelos mais rigorosos moldes de honestidade intelectual e o acompanhamento de observadores independentes;
  • resulta da convergência de multiplicidade de tais depoimentos feitos em lugares diferentes, através de individualidades que nada sabiam umas das outras e em ocasiões diferenciadas no tempo;
  • Muitas dessas comunicações tinham essencialmente propósitos de carácter informativo/formativo de importância universal e são compagináveis com a ciência e com os métodos de observação das LEIS DA NATUREZA;

Outras comunicações mediúnicas, que continuam a decorrer nos autênticos e legítimos Centros Espíritas de todo o mundo, são efectuados com propósitos de auxílio moral, esclarecimento de problemas sensíveis e solidariedade espiritual COMPLETAMENTE LIVRES DE PAGAMENTO MONETÁRIO.
Fique perfeitamente entendido que, nos autênticos e devidamente credenciados Centros Espíritas tais trabalhos são movidos com exclusivo objectivo de SOLIDARIEDADE FRATERNA, tendo produzido em imensidade de casos efeitos comprovadamente úteis para as pessoas neles participantes, de acordo com os mais honestos, concretos e comprováveis testemunhos.

Ainda a respeito da mediunidade:

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Tal faculdade, na grande maioria das pessoas, resulta apenas – o que já é muito
– numa percepção subentendida de coisas que connosco se passam (e que tantas vezes acabamos, inconscientemente, de designar como o nosso “6º sentido”):
– numa intuição secreta e disfarçada,  de causas e efeitos de que não temos consciência plena, mas que nos afectam seja de que maneira for.

O “psicológico”, a tristeza ou a alegria, os sentimentos depressivos, as quebras de ânimo, os entusiasmos ocasionais, a tão celebrada “inspiração” que nos anima, por vezes, são o combustível de acção e intervenção das pessoas sensíveis, dos artistas e criativos e de quase todos nós, de uma maneira ou de outra.
Tudo isso se encontra dependente desse território desconhecido a que continuamos ligados sem o saber, que não controlamos, mas que nos condiciona de muitas e variadas maneiras.
Nos casos das pessoas em que a MEDIUNIDADE é mais explícita e – melhor ainda – nos casos em que é orientada e estudada de modo cultural e cientificamente adequado, é uma ferramenta importante para conhecer coisas fundamentais, instrumento de intervenções de solidariedade e auxílio precioso, esclarecendo o verdadeiro destino do homem, o lugar e as circunstâncias de que derivamos e o caminho que nos resta percorrer.

Apresentação desta versão resumida do espiritismo:

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Este trabalho irá ser desenvolvido em capítulos sucessivos que irão sendo publicados aqui.
Escrito como está, corresponde àquela conversa sossegada e íntima que gostaria de ter com toda e qualquer pessoa que desejasse ouvir-me.
Lembrei-me de a escrever pensando num grande amigo que fez o favor de ter comigo uma conversa semelhante, mas sem ser por escrito: o Senhor Joaquim Inácio Zapata de Vasconcelos, tipógrafo, músico ensaiador do meu naipe no Orfeão de Leiria, o dos segundos tenores, há uns bons 60 anos!…
Considerem, por favor, que se trata de uma conversa entre amigos, ultrapassando a dificuldade formal e a extensão de alguns cursos de qualidade que existem na internet. Críticas e comentários, agradecem-se.

Ideias essenciais deste Capítulo:

Allan Kardec definiu o Espiritismo como sendo:
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“…uma ciência que trata da natureza, da origem e destino dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal”.
“É ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações”.
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Espiritismo – Capítulo 02

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O segundo capítulo desta nossa conversa vai tratar de dois assuntos:
I A REENCARNAÇÃO; por ser um aspecto fundamental de toda a razão de ser da ciência de observação que também é doutrina filosófica com consequências morais que se chama espiritismo.
II A construção metodológica do espiritismo da autoria de ALLAN KARDEC ; por ser um dado histórico já mencionado no Capítulo I.

I A REENCARNAÇÃO

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A reencarnação é o conceito de que o espírito, como princípio inteligente dos seres, vai acumulando experiência e conhecimentos, vai-se aperfeiçoando intelectual e moralmente, não apenas na fugaz oportunidade de uma existência neste mundo através do seu corpo, veículo material – cuja associação forma aquilo que os espíritas designam como alma.

O espírito regressa todas as vezes necessárias para que se enriqueça e alcance os necessários dotes da inteligência e as qualidades morais que lhe permitam avançar para outros horizontes de perfeição iluminada.

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O corpo físico, veículo transitório da eternidade do espírito
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O corpo físico, nessa ordem de ideias, não passa de um meio transitório, com durabilidade dependente de factores os mais diversos – inclusive dos que dependem de acidentes que ocorrem por aparente fatalidade.
O progresso dos Espíritos processa-se, sempre no sentido ascendente, isto é sem regressões, até um ponto de aperfeiçoamento que os liberta da sucessão das vidas.
Desses Espíritos (e usamos aqui o critério do uso de maiúsculas esclarecido por Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”), só regressam à vida aqueles que, por generosa abnegação, se dispõem – de acordo com decisões tomadas a níveis superiores – a servir de guias orientadores da humanidade que habita este nosso mundo que é caracterizado, na hierarquia respectiva, como mundo de “expiação e de provas”.
Este é o caso do planeta Terra, entre o incontável número de mundos igualmente habitados por todo o Universo, cada um deles servindo a seu modo, de conformidade com o seu nível, os desígnios do Criador,

“…A doutrina da REENCARNAÇÃO, que consiste em admitir para o ser humano muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia que fazemos da justiça de Deus, para com os que se encontram colocados numa condição moral inferior, a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, dado que nos oferece o meio de redimir os nossos erros através de novas provas. A razão assim nos diz, e os Espíritos nos ensinam.…”
In “O Livro dos Espíritos” comentário de Allan Kardec à pergunta 171..

Sem admitirmos a REENCARNAÇÃO, nada faz sentido no mundo e na natureza das nossas vidas como consequência inteligente de uma causa inteligente que garanta a todos os seres um futuro de evolução e aperfeiçoamento em condições de perfeita igualdade.

O espiritismo serve-se da sua cultura, e do exercício da mesma, para comprovar – mediante a “ciência de observação” que de facto é – essa antiquíssima teoria, comum a uma grande variedade de concepções históricas do mundo e da vida, inclusivamente a que vigorava na contemporaneidade de Jesus e que se manteve nos “textos sagrados” até ao segundo Concílio de Constantinopla no ano 553 e de onde foi retirada por determinantes ilegítimas que conduziram à adulteração dogmatizante da mensagem de Jesus de Nazaré.
O espiritismo não inventou a reencarnação, cujo conhecimento é tão antiga como a Humanidade.

Aliás, também o sentido orgânico da mediunidade é um fenómeno natural familiar e utilizado pelos mais diversos povos de todo o mundo desde a noite dos tempos.

Ambos são elementos de fundamentação e de prova da vida depois da morte, da pluralidade das existências – ou reencarnação, isto é, dos fundamentos principais da natureza e do funcionamento do mundo material e do mundo espiritual, e da interacção entre ambos.

A evolução de estudos conduzidos por todo o mundo a respeito da reencarnação e o alargamento dos conhecimentos científicos a seu respeito, já fizeram com que ingressasse na área de investigações académicas em importantes institutos científicos e universitários não-espíritas.
Dessa realidade, crescentemente tratada e divulgada em variadíssimos círculos já temos dado conhecimento nestas páginas.

A doutrina da criação da alma no instante do nascimento

De acordo com algumas concepções religiosas conhecidas, a alma é criada no instante do nascimento dos indivíduos, dando a uns o destino de imperadores, a outros o de pedintes; a uns a categoria de intelectuais de valor, a outros a de analfabetos
Algumas pessoas têm prestações excelentes e gloriosas, de acordo com a sua inteligência superior, outros arrastam-se na carência de meios e na inferioridade moral. Uns são abnegados e justos, outros arrogantes e desrespeitadores, praticamente desde a mais tenra idade. Como se o Criador tivesse como método natural criar almas de primeira, de segunda, etc.

A desigualdade de destinos que isso pressupõe, ao fim de apenas uma existência terrena, às vezes muito curta e muito acidentada, não é compreensível perante as perspectivas de evolução equivalente a que todas as pessoas têm direito.

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A admissão de apenas uma existência também não explica um grande número de factos notáveis da nossa mente, como as pré-aquisições, a memória intuitiva de factos inexplicáveis, a sensação do “momento já vivido”, as crianças prodigiosas que nascem com dotes surpreendentes e impossíveis de enquadrar na realidade simples e toda a infinita assimetria de capacidades e particularismos das condições de vida de cada um.

A intuição sensível dos artistas e o “pecado original”

Dos génios pintores e poetas, por exemplo, toda a gente entende que a sensibilidade e os saberes que tão bem dominam não foram “aprendidos” em lado nenhum. Há visões e percepções na criação artística que surgem “naturalmente” NÃO SE SABE DE ONDE.
Todas essas realidades como muitas outras que dizem respeito à natureza intuitiva da Humanidade, às suas qualidades sensíveis e à sua profunda memória, em evidência em todos os seres, mesmo nas crianças de tenra idade, se encontram devidamente explicadas e justificadas no contexto de justiça e de igualdade de direitos que pode entender-se considerando a tese da sucessão das vidas ou da pluralidade das existências.
O que seria do ser humano, do seu génio, da sua criatividade, do seu desejo de futuro e de progresso, se todos fossemos criados a partir do nível zero de conhecimentos, de sensibilidade e de memória afectiva e cultural?
E a maldade, o vício e a violência, perguntará o leitor. Sim tudo isso faz parte do Universo criado e das contingências dependentes do ilimitado e consciente livre arbítrio de que fomos dotados pela inteligência superior que criou todas as coisas.
Mais uma razão ponderosa para estudarmos com atenção a doutrina emancipadora e luminosa dos Espíritos que também a respeito disso, como da imensidade de outras coisas, nos esclarecerá com razões lógicas e comprováveis.

Quanto ao pecado original, muito haveria para dizer, mas basta delinear as contradições sem sentido que imporia a todos os seres humanos uma condenação antecipada, ou teoria da queda, que tem como única razão o simples facto de terem nascido.
Nasceste, como tal já és culpado!.. Que absurdo lamentável!…

As religiões dogmáticas declaram-se únicas detentoras da faculdade de libertar os seres desse pecado, através do baptismo, evidentemente. É uma sujeição abusiva e destinada a cimentar o seu poder.
Há dias, ouvi um sacerdote que celebrava um ofício de defuntos, dizer publicamente numa igreja que “fulano”, o falecido, tinha tido muita sorte, porque fora baptizado conforme preceito de catecismo da sua religião.
Por isso se transformara “em filho de Deus”. Por isso poderia “ir para o Céu”!…
Perguntei-me, mergulhado em espanto, qual é a ideia que aquela autoridade religiosa alimenta na sua mente e na sua consciência a respeito dos milhares de milhões de pessoas, seres humanos, que não foram baptizados na “sua igreja”?
Só de pensar que o infeliz julga que todos eles NÃO SÃO FILHOS DE DEUS, me faz rezar por ele uma prece, pedindo que se lhe abra o entendimento e que os bem intencionados fiéis que o procuram não fiquem com esse mau conceito do seu Criador, que os elege só a eles como privilegiados filhos de Deus, mas só se tiverem sido baptizados naquela ( E SÓ NAQUELA!…) Igreja.
Seria, só de pensá-lo, um grave atentado ao mínimo sentido da bondade e da justiça divina.

E é nestes pressupostos que se baseou a dominação de povos inteiros, com guerras, cruzadas dentro e fora dos países e das culturas, injustiças medonhas, inquisições, perseguições, torturas e assassinatos bárbaros, durante praticamente dezassete séculos.
Será que foram eliminadas no mundo todas as consequências de tão abomináveis alienações?

A evolução em regime de igualdade universal

A chocante variedade de destinos que acima se refere tem sido, ao longo de toda vida, motivo de crises existenciais sem fim, arrastando ao descrédito uma concepção da vida sem projecto inteligente respeitador de todos os seres e das suas legítimas aspirações.
Os incrédulos estribam-se nesse tipo de razões para desacreditarem a tese da existência de um Deus criador que a uns dá o corpo de beldades e mentes de inteligência genial e a outros dá o corpo retorcido do sofrimento informe e a mente entorpecida do tresloucado.

O espiritismo inclui a visão racional de todo esse tipo de circunstâncias, que pode comprovar mediante o exercício do “diálogo entre humanidades”, servindo de guia e amparo substancial a todos os sofredores e de estímulo de aperfeiçoamento a todos os que não forem muito bem sucedidos, conforme as justificáveis circunstâncias e apenas temporariamente.

Se é importante a primeira das ideias, a de amparo dos menos felizes, enfermos ou aparentemente deserdados, muito importante também é orientar os beneficiados por um quadro de vida pleno de felicidade e favores do destino – em direcção a atitudes conscientemente justas, modestas e solidárias para com todos os seus semelhantes.
As informações disponíveis a respeito deste assunto esclarecem devidamente a longa marcha dos espíritos para aprender, melhorar e aperfeiçoar-se até atingir a clarividência e a plenitude dos Espíritos de Luz.


II – A construção metodológica do espiritismo da autoria de Allan Kardec

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O ordenamento metódico e sistemático dos conhecimentos espíritas foi feito há cerca de 160 anos, em Paris, por Hippolyte Léon Denizard Rivail (que adoptou o pseudónimo de Allan Kardec).
Nascido em 1804 e falecido em 1869, foi um prestigiado pedagogo e homem de ciência (discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi ver a Nota final nº 67 da nossa tradução de “O Livro sos Espíritos” à disposição de todos os leitores nestas páginas) que lançou mão dos recursos da sua formação académica para dar início a uma investigação metódica de algo que nessa época surpreendia a França e variados círculos espalhados pelo mundo.
No agitado universo de profundas transformações de meados do século XIX, largo número de interessados se mobilizava em torno de manifestações surpreendentes, cujos contornos não se conheciam devidamente: o fenómeno das comunicações espíritas, cuja ocorrência – por numerosa e evidente – não podia deixar as pessoas indiferentes.
A sistemática ordenação metodológica foi feita a partir da recolha de elementos colhidos por vários grupos de investigadores e o professor Hippolyte Léon foi convidado por um amigo seu, que com ele se dedicava ao estudo do magnetismo humano (o Senhor Fortier), para coligir o conteúdo de perguntas e respostas de um famoso conjunto de cinquenta cadernos com notas tomadas em múltiplos círculos de reuniões espíritas.

O espiritismo foi, portanto – e continuará a ser – obra de uma colectividade de seres que, em plena independência e liberdade, se dão as mãos na construção de um novo horizonte de esperança e evolução para toda a humanidade.

É a uma nova visão do mundo e do homem como ser espiritual dirigido por princípios inteligentes e destinados a uma evolução sem fronteiras.
Tais objectivos são para dar frutos futuros e também poderão contribuir para uma acentuada evolução positiva do nível de entendimento e do progresso espiritual no mundo em que habitamos.
Pressupõem uma vivência e uma partilha de valores como jamais tinha havido na História e corresponde ao levantar da esperança e de progresso para toda a humanidade, que coroa as melhores conquistas da era moderna.

Anexo I

De acordo com Allan Kardec, no Capítulo I da sua obra “A Génese”, três foram as grandes revelações da Lei de Deus: A primeira representada por Moisés; a segunda por Jesus de Nazaré e a terceira a que foi efectuada pelo Espiritismo.
Do ponto de vista de uma revelação religiosa, o Espiritismo apresenta algumas características muito específicas:

a) Estruturação Colectiva:
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“…as duas primeiras revelações, sendo fruto do ensino pessoal ficaram forçosamente localizadas, isto é, apareceram num só ponto, em torno do qual a ideia se propagou pouco a pouco; mas foram precisos muitos séculos para que atingissem as extremidades do mundo, sem mesmo o invadirem inteiramente. A terceira tem isto de particular: não estando personificada num só indivíduo, surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes, que se tornaram centros ou focos de irradiação.”
A Génese, Allan Kardec
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b) Origem Humano-Espiritual:

O Espiritismo tem uma dupla origem:
espiritual dado que a sua estrutura doutrinária foi em grande parte ditada por Espíritos superiores e, por isso, tem sido considerado uma revelação;
e humana, dado que foi e continua sendo enriquecido e trabalhado por espíritas cultos e dedicados que dão o melhor de si no seu aperfeiçoamento.

c) Carácter Progressivo:

A ordenação cultural espírita, apoiando-se em factos, tem de ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva como todas as ciências de observação.

“Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.”
A Génese, Allan Kardec; cap I ,it 55
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Anexo II

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O ESPIRITISMO

  • Parte originariamente dos ensinamentos conhecidos de Jesus de Nazaré, Espírito muito antigo de elevadíssimo nível evolutivo, mas filho de Deus como nós mesmos e que nos é proposto em “O Livro dos Espíritos” como modelo de virtudes morais; Os ensinamentos conhecidos de Jesus de Nazaré e que foram levados em conta por Allan Kardec, estão devidamente esclarecidos na sua obra “O Evangelho segundo o Espiritismo”;
  • Revela a origem e a natureza mundo espiritual e suas relações com o mundo material;
  • Levanta o véu dos “mistérios” do nascimento e da morte;
  • O espírita sabe de onde vem, porque razão está na Terra, porque motivos sofre, qual é o seu destino e a razão de existir;
  • Nos princípios e claramente apresentados pela sua cultura filosófica com objectivos morais, vê em tudo e por toda a parte a justiça de Deus;
  • Sabe que alma progride incessantemente, pela pluralidade das existências, até atingir o grau de perfeição que o aproxima de Deus;
  • O espírita toma conhecimento da pluralidade dos mundos habitados;
  • Descobre o livre-arbítrio;
  • É demonstrada a existência do perispírito, cuja natureza e propriedades são de fundamental importância;
  • Todos estas aquisições científico-filosóficas se encontram devidamente ordenadas e esclarecidas nos restantes quatro livros da autoria de Allan Kardec: “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns”, “A Génese” e “O Céu e o Inferno”.
A nossa época e o privilégio da informação fácil; PRECAUÇÕES ACONSELHADAS

A clarificação de horizontes tão empolgantes como os que se descrevem, solicitam evidentemente grande número de esclarecimentos.
O objectivo desta visão resumida do espiritismo e da sua doutrina, tem como único propósito falar com toda a abertura e muito sinteticamente a todos aqueles que têm tido a curiosidade, mas não ousaram aproximar-se com mais cuidado e atenção.
Meios, documentos e elucidação mais completa é o que não falta, desde logo na enorme rede de relacionamentos que é a internet.
Para fazer essa buscas é importante ter cuidado e usar das necessárias precauções de natureza cultural, porque nem todos bebem nas melhores fontes.

Aqui se propõe aos interessados uma cautela permanente e, na dúvida, devem ter como fonte original de conhecimentos o estudo cuidadoso, metódico e a profundado das obras da autoria de ALLAN KARDEC, profundamente documentada nas suas restantes obras, nomeadamente na sua REVISTA ESPÍRITA, publicada por ele mesmo durante 11 anos.

Espiritismo – Capítulo 03

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. desenho lápis de cor sobre papel – cb 2010

DE HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL A ALLAN KARDEC

O conhecimento do exemplo de vida e dedicação intelectual de Hippolyte Léon/Allan Kardec é um estímulo valioso para qualquer um de nós.
A enorme virtude que teve, foi o de estar atento, disponível, e de actuar de acordo com o que via com os olhos da inteligência sensível. Não se deixou levar na corrente destrutiva do materialismo imediato e foi premiado com a descoberta de uma das ideias mais extraordinariamente libertadoras da era moderna: o conhecimento certificado da origem e do destino do homem enquanto ser ligado à transcendência.
Hippolyte Léon/Allan Kardec, abriu resolutamente a cortina que escondia a nossa “sala comum” da entrada franca da luz do Sol, ou mais além, da Luz-Luz!…
Só não sabe quem não quiser ser informado.
Só não acredita quem não se consentir uma hora de atenção e diálogo.
No estado actual dos conhecimentos, a percepção e a intimidade com a transcendência já não é uma questão de fé subjectiva ou de predestinação casual: É uma questão de querer saber e ser informado.
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Hippolyte Léon Denizard Rivail/Allan Kardec (1804-1869)

Neste terceiro capítulo vamos falar um pouco sobre Hippolyte Léon Denizard Rivail, o homem que mais tarde veio a ser conhecido por Allan Kardec, tendo por base uma obra da autoria de Henri Sausse, considerado o seu mais importante biógrafo.
Não ignorei também o trabalho de um outro biógrafo, muito mais recente, André Moreil, sobre cuja personalidade não se encontram dados disponíveis na internet e cujas obras terão sido publicadas, de acordo com as referências mais antigas que encontrei, a partir de 1961.

Hippolyte Léon, aquele que não cuidou de poder nem de imagem para a posteridade

Enquanto Hippolyte Léon, e muito menos como Allan Kardec, não foi uma personalidade que tenha gasto tempo a notabilizar-se a si próprio, contrariamente ao que acontece com aqueles que parecem obcecados pela acumulação dos fugazes vestígios que irão deixar neste mundo.
Não registou impressões suas que constituíssem “curriculum vitae”, não fez considerandos subjectivos que não fossem ao essencial dos temas que ocupavam a sua mente e, muito menos, criou uma qualquer fundação ou museu com o seu próprio nome.
Tendo sido uma pessoa perfeitamente normal, como qualquer de nós, ou seja: nem santo nem profeta, o seu percurso em direcção ao esclarecimento das causas fundamentais da origem e razão de ser do homem como ser espiritual tem uma exemplaridade tão notável que constituem – conforme será possível demonstrar factualmente – um marco essencial na evolução presente e futura da humanidade.

A aceitação da validade e da importância do trabalho de Allan Kardec não se coloca no plano da fé, no facto de acreditar ou de não acreditar em coisas vulgarmente consideradas – e de forma errónea – misteriosas e vagas. Situa-se unicamente no plano da vontade do esclarecimento de factos identificados com a observação experimental, hoje exemplarmente esclarecidos por estudiosos do mais notável prestígio e autoridade.
Depende da coragem intelectual de enfrentar realidades claríssimas de grande actualidade, mas com as suas raízes profundamente lançadas na antiguidade histórica e antropológica.

O que é de salientar à partida é que Hippolyte Léon, ele próprio;

• viveu a maior parte de sua vida sem que tenha existido o espiritismo na sua cabeça;
• a codificação do mesmo resultou de um conjunto de razões e de factos que se impuseram à sua consciência científica e cultural, depois de ter começado a estudá-los, a pedido e por insistência de amigos seus;
• verificando-se a circunstância concreta de que, para a sua anterior formação, tais fenómenos tinham um carácter estranho e até francamente duvidoso.

A determinação de Allan Kardec em abordar “os fenómenos” que lhe foram recomendados por amigos surgiu, é preciso acentuar-se, já depois de ter atingido os cinquenta anos de idade.
Note-se que nessa altura o marco dos cinquenta era uma idade muito mais madura do que é agora devido à mudança do tipo de vida e à esperança de longevidade muito mais alargada.
Isto para além de que, sendo a sua cultura perfeitamente académica, positivista mesmo, a uma primeira solicitação para estudar “uns certos fenómenos magnéticos” que lhe foi feita por um amigo que se chamava Fortier, a resposta dele foi pouco entusiástica, mesmo francamente dubitativa.

As origens, a família e as circunstâncias históricas em França

Cerftif naiss
certidão de nascimento de Denisard Hypolite Leon Rivail. Notar a forma um pouco estranha como se encontra redigido o nome, com acentuadas diferenças relativamente aos nossos hábitos e ao modo como é geralmente identificado.

A sua infância e juventude têm sido resumidas de forma muito diferente da realidade, como filho de gente de boa sociedade e haveres, residente em Lyon com um pai juiz bem instalado que o teria mandado estudar para um colégio prestigiado na Suiça.
Nada mais irreal e fantasioso do que de facto sucedeu.
Seu pai, que não chegou a dar o nome a sua mãe, foi alistado nas tropas de Napoleão, era Hipólito Leão muito menino. Quem o levou para a Suiça foi sua mãe,  dado que o ambiente em França era caracterizado por uma instabilidade enorme, com imensas hipóteses de trágicos acontecimentos.

Não uma simples “crise”, mas conflagrações sociais medonhas que fizeram de todo o século XIX, em França como no resto da Europa, um cenário de violências, guerras, miséria e instabilidade.
Do lado positivo dos acontecimentos registaram-se avanços e progressos notáveis, apesar de tudo. A cultura, a arte e as ciências avançaram extraordinariamente em inúmeros domínios, sendo pena que regimes arrogantes e insensíveis tenham permanecido alheios ao sofrimento dos povos, presos às paixões materialistas, à cupidez egocêntrica e a uma insaciável sede de poder.
Guerras entre estados, revoluções e contra revoluções, amotinações dos desesperados e dos desvalidos reprimidas com mão de ferro, prisões e fuzilamentos, fazem com que este século não tenha constituído uma excepção no conjunto de tantos séculos igualmente saturados da sem razão das guerras, da injustiça e da má distribuição das riquezas.

Já no fim do século dezoito haviam ocorrido factos poderosamente transformadores da ordem e do sistema vigentes (com a Revolução Francesa), e todo o período subsequente, sem esquecer o primeiro império e as guerras napoleónicas, tão devastadoramente trágicas para tantos milhares de vítimas, pese muito embora o efeito das transformações sociais e culturais que arrastaram consigo.

Em 1848 houve milhares de prisões e um número indeterminado de cidadãos foram fuzilados em Paris; em 1851, de novo barricadas em Paris com fuzilaria e muitos mortos e execuções; em 53 a França declara guerra à Turquia e à Rússia, com tudo o que isso envolve para o povo combatente e tributário, sem falar de uma longa lista de missões francesas de colonização e conquista e outros conflitos coroados pela guerra franco-prussiana em 1870, com uma vastíssima a invasão da França e o cerco de Paris, seguido da sublevação da Comuna afogada em sangue durante a “semana sangrenta” (cerca de 30 mil mortos, um número suposto jamais confirmado visto que os combatentes eram anónimos cidadãos que se haviam amotinado, cansados da sua miséria).

Gravura ilustrando um dos inúmeros fuzilamentos de populares amotinados que tomaram parte no conhecido episódio histórico da “Comuna de Paris”, que é dado como uma das consequências da guerra franco-prussiana, em 1870. De salientar, entretanto, que as condições de vida da imensa maioria dos trabalhadores, nessa época, assumiam aspectos da mais dramática miséria e falta de justiça social. Foi muito desse povo que engrossou o número daqueles que seguiram com esperança e fé os ensinamentos propagados na altura pela pela mensagem espírita propagada pela obra de Allan Kardec.

A eclosão do espiritismo teve lugar durante o período chamado do Segundo Império de Napoleão III, de 1852 à 1870. Este mesmo homem de estado, primeiramente eleito presidente da república e logo depois auto-consagrado como imperador e o “préfet Haussmann” renovaram de modo espectacular o urbanismo parisiense, tendo inovado com a abertura dos larguíssimos “Grands Boulevards” e das praças vastíssimas.
De visita à “cidade luz”, qualquer guia turístico vos dirá, contudo, que um dos propósitos dessa medida formidável que fez da capital da França aquilo que ela é, seria o de abrir espaços amplos por onde esquadrões de cavalaria pudessem carregar sobre cidadãos amotinados pela fome, e regimentos de artilharia pudessem esfrangalhar à bomba as trágicas barricadas populares, celebradas no luto de milhares em muitas cantigas de camisardos tornadas conhecidas pelos piores motivos.

Estampa popular ilustrando o cerco e o bombardeamento de Paris pelos exércitos da Prússia

Basta dar uma pequena vista de olhos pelos compêndios de história e mergulhar na leitura dos monumentos literários da época, tais como, por simples exemplo, “Os Miseráveis” de Victor Hugo – artista e grande herói da França – notório adepto do pensamento espírita e mentor de reuniões mediúnicas que a história abundantemente documenta.
O esclarecimento das características sociopolíticas e culturais vigentes durante todo esse século foram de uma complexidade impossível de abordar aqui, sendo entretanto indispensável referir que eram muitíssimo adversas ao estudo e à divulgação de ideias estranhas ao regime, de que o poderosíssimo catolicismo fazia parte.
Certos estavam aqueles avisos e considerandos que foram conscienciosamente feitos por Hyppolite Léon, no que toca às imensas dificuldades, azedumes e perseguições de que iria ser vítima, obstáculos que – tendo iniciado a tarefa a que entretanto se propôs – não enfraqueceram em nada o seu ânimo, antes pelo contrário.

A cronologia dos acontecimentos a partir da juventude

1823, o interesse pelo magnetismo

Ainda muito novo, pelos 19 anos (1823), um dos assuntos de exploração científica que motivou o jovem Hippolyte Léon, era o magnetismo, as fases do sonambulismo e todos os mistérios adjacentes, conforme esclareceu muito mais tarde, em Março de 1858, a pgs. 92 da Revue Spirite.

«…O magnetismo preparou o acesso ao espiritismo, e os rápidos progressos desta doutrina devem-se incontestavelmente à vulgarização das ideias daquele.
Dos fenómenos do magnetismo, do sonambulismo ao êxtase próprio das manifestações espíritas não dista senão um passo; a ligação é tal que, por assim dizer, é impossível falar de um sem falar do outro.
Se tivéssemos que nos manter afastados da ciência magnética, o quadro ficaria incompleto e seríamos comparáveis a um professor de física que se abstivesse de falar da luz.
Todavia, como o magnetismo já possui entre nós entidades devidamente acreditadas, seria desnecessário insistir num assunto tratado com a superioridade do talento e da experiência; não falaremos nele senão de modo acessório, o suficiente para mostrar as íntimas relações das duas ciências que, na realidade, não passam de uma só…”.

Porém, conforme nos diz Henri Sausse:

“…Não nos antecipemos; a conclusão final não fora ainda atingida. Allan Kardec não tinha encontrado ainda a via que o conduziria à imortalidade…”.

1854 – a maturidade e a proposta do Senhor Fortier

Em 1854, uma das pessoas que como ele se interessava pelos fenómenos do magnetismo, o Senhor Fortier, falou-lhe no caso das mesas girantes que “falavam”. A resposta que lhe deu o professor Rival ficou registada para o futuro de forma explícita, para que não restassem dúvidas quanto à sua atitude céptica que tais fenómenos lhe inspiravam:

«…Acredito quando puder ver, quando me tiverem dado provas de que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que pode tornar-se sonâmbula. Até lá permita-me que veja nisso apenas uma historieta para fazer dormir de pé…».

(NOTA: Antes da adopção pelos espíritas do termo “médium” utilizava-se a expressão “sonâmbulo”, oriundo dos estudos sobre o magnetismo, para designar as pessoas que, num estado hipnótico, evidenciavam uma sensibilidade excepcional ou comportamentos fora da sua personalidade habitual.).

Nos dois anos seguintes iria desenrolar-se uma enorme quantidade de observações e de experiências que iriam mudar a face dos conhecimentos relativos ao espírito, à origem e ao destino da humanidade e que correspondem ao aparecimento de uma nova cultura, cujo ressonância vibra no coração e na mente de todos nós: a cultura espírita.

1855 – Carlotti, Fortier, a Senhora Plainemaison e muitos outros

A partir daqui vale a pena citar as próprias palavras de Allan Kardec:

« …No ano seguinte (começos de 55) encontrei Carlotti, um amigo de 25 anos, que me ocupou durante mais de uma hora a respeito do fenómeno das “mesas falantes”», com o entusiasmo que dedicava a todas as ideias novas.
Falou-me, antes de mais, na intervenção dos espíritos, o que aumentou as minhas dúvidas.
– O meu amigo será um dia dos nossos, asseverou.
– Veremos isso mais tarde, retorqui.
Pelo mês de Maio, estando em casa da Senhora Roger com Fortier, seu magnetizador, encontrei o Senhor Pâtier e a Senhora Plainemaison, que me falaram dos mesmos assuntos que abordara Carlotti, mas num tom completamente diferente.
Pâtier era funcionário público de certa idade, grave, frio e calmo. A sua linguagem ponderada, livre de entusiasmos, impressionou-me bastante e resolvi aceitar com empenho o convite que me fez para assistir às experiências que eram feitas em casa da Senhora Plainemaison.

Foi lá, pela primeira vez, que fui testemunha do fenómeno das “mesas girantes”, em condições tais que não havia lugar a dúvidas.
Assisti também a alguns ensaios muito imperfeitos de escrita «medianímica» feita numa ardósia por meio de uma cestinha.
As minhas ideias não se encontravam definidas, mas um facto de tal natureza devia ter necessariamente uma causa. Por detrás daquelas aparentes futilidades e daquela espécie de brincadeira, descortinei algo de sério, como que a revelação de uma nova lei que prometi aprofundar.

Num dos serões da Senhora Plainemaison conheci a família Baudin, que me convidou a assistir a uma das suas sessões semanais, das quais passei a ser visita assídua.
Foi lá que fiz os meus primeiros estudos sérios de espíritismo, ainda não tanto pelas revelações como pelas observações…”

A dúvida metódica e o método da experimentação

“…Apliquei a esta nova ciência, tal como costumava fazer até então, o método da experimentação.
Nunca estabeleci teorias preconcebidas, observava com atenção, comparava e deduzia as conclusões; Procurava encontrar para os efeitos as respectivas causas, pela dedução, e pelo encadeamento lógico dos factos, não assumindo como válida uma explicação senão quando ela esclarecia todas as dificuldades da questão.

Era assim que tinha procedido sempre nos meus trabalhos anteriores, desde a idade de quinze ou dezasseis anos.
Estava consciente, antes de mais, da seriedade da exploração que ia levar a cabo.
Entrevi no seio dos fenómenos estudados, a chave do problema tão profundo e controverso do passado e futuro da humanidade, cuja solução tinha buscado toda a minha vida: era, numa palavra, uma revolução de ideias e de crenças.
Era por isso necessário agir com ponderação e profundidade; ser positivista e não idealista, para não embarcar em ilusões.
Um dos resultados das minhas observações foi de que os espíritos, sendo as almas dos homens, não possuem a sabedoria plena nem a ciência esclarecida;
O seu saber depende do seu grau de evolução e a sua opinião só tem o valor de uma opinião pessoal.

Esta verdade, reconhecida desde o princípio, livrou-me do grave inconveniente de acreditar na sua infalibilidade e impediu-me de formular teorias prematuras baseado na opinião de um só ou de vários testemunhos.

O facto de existir uma comunicação com os espíritos, dissessem eles o que dissessem, provava por si só a existência de um mundo invisível envolvente.

Esse facto já era de importância capital, um campo imenso aberto às nossas explorações, a chave de uma multidão de fenómenos inexplicáveis;
O segundo ponto, não menos importante, era conhecer o estado desse mundo, os seus costumes, se assim se pode dizer;

Depressa concluí que cada Espírito, em função da sua posição pessoal e dos seus conhecimentos, me revelava uma faceta, tal e qual como quando se procura conhecer o estado de um país interrogando os habitantes de todas as classes e de todas as condições, cada qual podendo ensinar-nos algo, sem nenhum poder, individualmente, ensinar-nos tudo;

É ao observador que compete formar o quadro geral com a ajuda de documentos recolhidos de fontes diversas, comparados, conjugados e controlados uns pelos outros.
Agi portanto com os Espíritos do mesmo modo como teria feito com os vivos; foram para mim, desde o mais modesto ao mais notável, meios de me informar e não reveladores predestinados…”

Henri Sausse prossegue:

“…Conforme sabemos convém acrescentar que, de início, o Senhor Rivail, longe de ser um entusiasta destas manifestações e, absorvido por outros afazeres, esteve a ponto de abandonar o seu estudo.
O que teria feito sem as empenhadas solicitações de Carlotti, René Taillandier – membro da Academia das Ciências, Tiedeman-Mantèse, Sardou pai e filho, e Didier, editor, que há cinco anos seguiam o estudo destes fenómenos e que tinham reunido cinquenta cadernos de comunicações diversas que não haviam conseguido ordenar de forma adequada.

Conhecedores do raro espírito de síntese de Rivail, entregaram-lhe esses cadernos pedindo-lhe que tomasse deles conhecimento e que organizasse devidamente o seu conteúdo.
Era um trabalho árduo que exigia muito tempo, em função das lacunas e da obscuridade das comunicações, e o enciclopédico conhecedor que era Rivail recusou uma tão absorvente como cansativa tarefa, em nome de outras que tinha entre mãos…»

1856-57 – o “surgimento” de Allan Kardec e a primeira edição do “livro dos Espíritos”

Rivail toma em mãos a tarefa para a qual fora convocado, analisa o conteúdo da enorme quantidade de comunicações mediúnicas que tinha ao seu alcance, fez todas as anotações necessárias, eliminou as repetições, ordenou as matérias em registo, além de ter identificado as lacunas e pontos duvidosos, preparando questões específicas para esclarecer em comunicações futuras.

Ainda ele próprio:

«…até então, as sessões em casa do Senhor Baudin não tinham nenhum objectivo determinado.
O que levei a cabo então foi esclarecer os problemas que me interessavam do ponto de vista filosófico, psicológico e da natureza do mundo invisível;
para cada sessão preparava um conjunto de perguntas metodicamente ordenadas, as quais sempre obtinham respostas precisas, aprofundadas e de sentido lógico, donde a modificação completa do carácter de tais reuniões.
Estas eram, além disso, presenciadas por pessoas sérias e vivamente interessadas. Se por acidente faltava a uma reunião, os assistentes ficavam como que perdidos, perdendo sentido para a maioria a futilidade das questões.

O meu intento não era o da minha própria aprendizagem; mais tarde, quando senti que o conjunto de noções disponível formava conjunto e tomava as proporções de uma doutrina, pensei publicá-las para elucidação geral.
Foi esse conjunto de ideias, sucessivamente desenvolvidas e completadas, que constituiu a base de «O Livro dos Espíritos…».

Em 1856 Rivail seguiu as reuniões que se realizavam na Rua Tiquetonne, na casa do Senhor Roustan (não confundir com advogado Jean-Baptiste Roustaing, de Bordéus, promotor do gravoso “cisma roustainguista”, de que teremos de falar mais tarde) com a presença da Mademoiselle Japhet, médium, que trabalhava ainda pelo processo da cesta que produzia, aliás, comunicações muito interessantes. Essas sessões foram dirigidas no sentido de controlar as noções anteriormente organizadas.

Allan Kardec esclarece:

«…A verificação feita desse modo não me satisfazia ainda de acordo com a recomendação que recebera dos Espíritos. As circunstâncias tinham-me posto em contacto com outros médiuns e, cada vez que a ocasião se apresentava, fazia perguntas de modo a resolver as questões mais espinhosas.
Deste modo houve mais de dez médiuns a colaborar na realização desta tarefa. É da comparação e da combinação de todas essas respostas, devidamente ordenadas e muitas vezes cruzadas no silêncio da meditação, que redigi a primeira edição do « Livro dos Espíritos » publicado no dia 18 de Abril de 1857… »

Publicada sob a autoria do seu pseudónimo a obra conheceu um sucesso tal que se esgotou em pouco tempo. No ano seguinte houve uma reedição revista e largamente aumentada.
Houve nova edição em Abril de 1860, outra em Agosto de 1860, outra ainda em Fevereiro de 1861 ou seja, três edições em menos de um ano,

OLE Fr marg

 

1858, a “Revue Spirite”

Pressionado pelos acontecimentos e pelos documentos que tinha na sua posse, Allan Kardec – com razões fundamentadas no sucesso do « Livro dos Espíritos » –concebeu o projecto de criar um jornal espírita, para o que se dirigiu ao Senhor Tiedeman em busca de apoio financeiro, o que este recusou.
Consultou por isso os seus guias espirituais, por intermédio do médium Senhora E. Dufaux, tendo-lhe sido dito que lançasse mãos à obra, sem se inquietar com nada.

O primeiro número saiu no dia 1 de Janeiro de 1858, à sua exclusiva responsabilidade, não tendo tido que se arrepender, dado que o êxito da iniciativa ultrapassou de longe todas as expectativas.
Esta tarefa iria ampliar-se, tanto no que toca ao trabalho como às responsabilidades, em luta contra toda a sorte de entraves, obstáculos e perigos. À medida que isso sucedia ia também aumentando a sua coragem e determinação, o que produziu frutos durante onze anos de publicação da «REVUE SPIRITE» cujo bom acolhimento e cujos conteúdos constituem um marco histórico de toda a importância no devir e no alargamento das conquistas da doutrina dos Espíritos.

Em 12 de Junho de 1856 havia-lhe sido feita uma comunicação mediúnica do ESPIRITO DA VERDADE, seu guia, por intermédio do médium Mademoiselle Aline C., para as enormes dificuldades e campanhas negativas que iria ter de enfrentar ao longo do cumprimento da sua tarefa.
Dez anos depois, diria Allan Kardec a esse respeito :

«…Escrevo esta nota no dia 1 de Janeiro de 1867, dez anos e meio depois dessa comunicação me ter sido feita, e concluo que ela se concretizou em todos os detalhes, dado que sofri todos as vicissitudes nela indicados.
Fui ameaçado pelo ódio de inimigos encarniçados, à injúria, à calúnia, à inveja e ao ciúme; libelos infames foram publicados contra mim; as minhas melhores indicações foram desvirtuadas; fui traído por aqueles em quem tinha depositado toda a confiança, e recebi a ingratidão como pagamento de serviços prestados.
A «Société de Paris» foi um alfobre de contínuas intrigas urdidas por aqueles que se diziam do meu lado, que me faziam boa cara pela frente e me dilaceravam por detrás. Disseram que aqueles que tomavam o meu partido estavam subornados por mim com dinheiro que ganhava com o espiritismo.
Nunca mais tive descanso; mais do que uma vez sucumbi sob o excesso de trabalho, a minha saúde degradou-se e a minha vida foi prejudicada. No entanto, graças à protecção e à assistência dos bons espíritos que sem cessar me deram provas da sua solicitude, estou feliz por reconhecer que nem um só instante passei pelo desfalecimento ou pela falta de coragem, e que sempre persisti na minha tarefa com o mesmo ardor, sem me preocupar pela malevolência de que era objecto.
De acordo com a comunicação que havia recebido de parte do ESPÍRITO DA VERDADE, deveria contar com todas essas coisas, o que veio realmente a suceder…»

Estas e outras realidades, passados muitos anos, continuam a marcar o nosso quotidiano e as limitações e dificuldades daqueles que, honesta e generosamente, continuam a desejar o progresso moral da humanidade, o seu aperfeiçoamento espiritual e o bom viver que pressupõe a difusão da nossa doutrina.

1867, Léon Denis e… uma sessão à luz das estrelas

O segundo Império de Napoleão III reinou em França de 1852 a 1870 de forma autoritária e teve, além de muitos episódios dolorosos para o seu povo um fim catastrófico com o desastre da guerra franco-prussiana e a morte no exílio.
Para ilustrar o ambiente, apenas um pequeno incidente “normal” do que se passava na sociedade francesa durante esses tempos, descrito por Léon Denis: este havia lido aos 18 anos “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, o que constituiu para ele “uma súbita iluminação de todo o seu ser” e, cerca de três anos mais tarde (tendo 21 anos de idade e Hippolyte Léon 63) colaborou com a organização de uma sessão de esclarecimento feita por Allan Kardec na cidade de Tours, em 1867.
Léon Denis havia alugado uma sala onde o mesmo teria lugar.
A polícia imperial não esteve pelos ajustes e a sessão foi proibida, acabando por decorrer, “à luz das estrelas” como refere Léon, no jardim de um amigo. Nessa sessão campestre dirigida por Allan Kardec teriam estado presentes cerca de trezentos devotados seguidores.
Por essa altura o interesse pelo espiritismo tinha já feito caminho e a adesão à doutrina, que mais tarde foi decaindo em França devido à pressão da cultura oficial materialista, e registava um progresso pujante, em clima de grande desespero moral dos cidadãos.

 

 

Léon Denis 1846 – 1927

Filósofo, escritor, conferencista, Léon Denis, desenvolveu intensa actividade na divulgação do espiritismo e assinou, em 1927, o prefácio de uma nova edição do livro da autoria de Henri Sausse, um dos mais devotados investigadores da biografia de Allan Kardec.
Muito mais tarde viria a merecer o epíteto de “Apóstolo do Espiritismo” e a ser aclamado em 1925 presidente do Congresso Espírita em Paris.

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Regresso de Hippolyte Léon ao mundo dos Espíritos

Depois de uma vida magnificamente intensa coroada pela concretização de uma tarefa que representa o esclarecimento das questões centrais da vida do homem, sua origem e seu futuro, Hipollyte Léon/Allan Kardec acabou por falecer naturalmente, pela ruptura de um aneurisma, entregue a tarefas normais de uma programada mudança de residência.
O seu funeral foi um acontecimento público do maior relevo, acompanhado por uma multidão de pessoas, entre as quais figuravam numerosas individualidades ligadas aos interesses de carácter científico de que abundantemente compartilhava.

Camille Flammarion (1842 – 1925)

Muito adequadamente, um dos cientistas que usou da palavra, tanto por ser seu amigo como por ser adepto das mesmas concepções, foi o prestigiado astrónomo Camille Flamarion, cujo discurso passou a constituir um marco referencial dos depoimentos a respeito de Allan Kardec, de que a seguir se incluem alguns fragmentos:

“…Com efeito, seria um acto importante aqui estabelecer (…) que o exame metódico dos fenómenos, erradamente chamados sobrenaturais, longe de renovar o espírito supersticioso e de enfraquecer a energia da razão, ao contrário, afasta os erros e as ilusões da ignorância e serve melhor ao progresso que a negação ilegítima dos que não se querem dar ao trabalho de ver…”
“…Allan Kardec era o que eu chamarei simplesmente “o bom senso encarnado”. Raciocínio recto e judicioso, aplicava, sem esquecer, à sua obra permanente as indicações íntimas do senso comum. Aí não estava uma qualidade menor, na ordem das coisas que nos ocupam. Era – pode-se afirmar – a primeira de todas e a mais preciosa, sem a qual a obra não poderia tornar-se popular, nem lançar no mundo as suas raízes imensas…”
“…O espiritismo não é uma religião, mas uma ciência, da qual apenas conhecemos o á-bê-cê. O tempo dos dogmas terminou. A Natureza abarca o Universo. O próprio Deus, que outrora foi feito à imagem do homem, não pode ser considerado pela Metafísica moderna senão como um espírito na Natureza. O sobrenatural não existe. As manifestações obtidas através dos médiuns, como as do magnetismo e do sonambulismo, são de ordem natural e devem ser severamente submetidas ao controle da experiência. Não há mais milagres. Assistimos à aurora de uma Ciência desconhecida. Quem poderá prever a que consequências conduzirá, no mundo do pensamento, o estudo positivo desta Psicologia nova?…”
“…tu foste o primeiro que, desde o começo de minha carreira astronómica, testemunhou uma viva simpatia por minhas deduções relativas à existência das Humanidades Celestes; porque, tomando nas mãos o livro “Pluralidade dos mundos habitados”, puseste-o a seguir na base do edifício doutrinário que sonhaste…”
“…O corpo cai, a alma fica e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor. E, no céu imenso, onde se exercitarão as nossas mais poderosas faculdades, continuaremos os estudos que na Terra dispunham de local muito acanhado para os conter. Preferimos saber esta verdade, a crer que jazes por inteiro neste cadáver, e que tua alma tenha sido destruída pela cessação do jogo de um órgão. A imortalidade é a luz da vida, como este sol brilhante é a luz da Natureza…”

“…Até logo, meu caro Allan Kardec, até logo”.

(publicado na Revue Spirite, em 1869).

Henri Sausse, o mais importante biógrafo de Allan Kardec

A biografia de Allan Kardec da autoria de Henri Sausse é um livro que francamente recomendo a qualquer interessado. Foi escrita uma primeira versão em Março de 1896 para acudir a uma solicitação feita pelos seus amigos de Lyon da Federação Espírita Lionesa, por altura da comemoração do dia 31 de Março, data do falecimento do codificador, e mais tarde publicado nessa cidade – também em 31 de Março – mas de 1909. A versão que consultei para redigir este breve resumo é consultável aqui. Além dos dois prefácios, é seguida do historial comentado da vida de Hippolyte Léon/Allan Kardec e tem como anexos artigos importantíssimos da autoria do mesmo e que constituem, como afirma Henri Sausse, uma espécie complementar de autobiografia do próprio, dada a raridade de referências exactas a respeito da sua personalidade propriamente dita.

Uma visão resumida das obras de Allan Kardec

Allan Kardec


O LIVRO DOS ESPÍRITOS /1857

É a sistematização metodológica do ensino coletivo dos Espíritos, quanto às Causas Primárias, ao Mundo Espírita e às suas relações com os homens, às Leis Morais e às Esperanças e Consolações. Sublinhe-se que os restantes livros principais da obra de Allan Kardec são desenvolvimentos, mais ou menos por capítulos, dos conteúdos deste livro, que é a obra fundadora da visão espírita do mundo e da vida.


REVISTA ESPÍRITA / 1858 a 1869

A Revista Espírita foi criada por Allan Kardec em janeiro de 1858 e foi publicada mensalmente sob a sua direção até março de 1869, mês em que faleceu, tendo sido ainda publicado o número que tinha preparado para o mês seguinte. Representa um trabalho gigantesco de 136 fascículos mensais, com uma totalida­de de cerca de 4.000 páginas, ao longo das quais está documentado todo o seu tra­balho na defesa e divulgação do espiritismo. Contou com inúmeras colaborações das mais diversas origens na Europa e no mundo, sobre os mais diversos aspetos da fenomenologia espírita e outros assuntos relacionados.
Segundo palavras do próprio Allan Kardec eram do interesse da Revista Espirita:
“O relato das manifestações materiais ou inteligentes dos Espíritos, aparições, evocações, etc., bem como todas as notícias relativas ao espiritismo; o ensino dos Espíritos sobre as coisas do mundo visível e do invisível; sobre as ciências, a moral, a imortalidade da alma, a natureza do homem e o seu futuro; A história do espiritismo na antiguidade; as suas relações com o magnetismo e com o sonambulismo; a explicação das lendas e das crenças populares, da mitologia de todos os povos, etc.”.

A Revista também dá testemunho das controvérsias que Allan Kardec enfrentou na defesa e na divulgação da nova cultura. Apresenta a correspondência que trocou com inúmeros opositores a quem respondia sempre de forma construtiva, dialogante e racional. Descreve a sua atividade no seio de um movimento que se afirmou muito rapidamente na sociedade francesa, sobretudo no mundo do trabalho e dos direitos sociais.
A Revista foi um instrumento fundamental na construção do espiritismo, por documentar e abrir horizontes sobre todos os temas que Allan Kardec tratou nas outras cinco obras fundamentais.
Dá-nos uma ideia do seu esforço e sofrimento pessoal, ao longo de 11 anos, dando a conhecer o homem por detrás do escritor.

O LIVRO DOS MÉDIUNS / 1861

Este é considerado o livro científico do espiritismo, por tratar do carácter experimental das comunicações entre o mundo espiritual e o mundo material, esclarecendo as principais dificuldades que se podem encontrar na prática do espiritismo. É um guia, tanto para os médiuns como para os evocadores e doutrinadores. Faz o desenvolvimento da matéria constante dos capítulos I a VIII do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos, cujo tema é o “Mundo Espírita ou dos Espíritos”.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO / 1864

É a obra que desenvolve o Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos, isto é, a matéria relacionada com as Lei Morais. Abordando o ensino moral contido nos quatro Evangelhos canónicos, fornece-nos a visão espírita dos principais episódios da vida de Jesus, clarificando a subjetividade alegórica dos seus ensinamentos.

O CÉU E O INFERNO – ou “A Justiça Divina segundo o Espiritismo” / 1865.

Faz o desenvolvimento do Livro Quarto de O Livro dos Espíritos que tem por título “Esperanças e Consolações”; expõe alguns conceitos segundo a óptica espírita: a vida após a morte, o Céu, o Inferno, o Purgatório e a Justiça Divina, seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte.

A GÉNESE, os Milagres e as Profecias segundo o Espiritismo / 1868

– É o desenvolvimento do Livro Primeiro de O Livro dos Espíritos que trata das causas primárias, com uma análise da génese, ou criação do mundo, contida no primeiro livro da Bíblia (Génesis), vista a uma nova luz
“…graças à qual o homem sabe de onde vem e para onde vai, porque se encontra agora no planeta Terra e porque sofre; sabe que tem o seu futuro nas mãos e que a duração do seu cativeiro depende de si. A Génese, saída da alegoria, mostra-se-lhe grande e digna da majestade, da bondade e da justiça do Criador. Sob este ponto de vista, a Génese irá ultrapassar e vencer a incredulidade…” citação de um breve trecho de A Génese, n° 26 do capítulo XII – sobre a Génese Mosaica (os seis dias e o paraíso perdido).
No restante, a obra debruça-se sobre o fenómeno dos “milagres e das profecias do Evangelho”, igualmente à novíssima luz da racionalidade emancipadora da cultura espírita.

SOBRE A GÉNESE / MUITO IMPORTANTE

Solicitamos a boa atenção dos leitores pata a notícia publicada aqui, no seguinte endereço:  É urgentíssimo despertar e fortalecer a cultura espírita

É fundamental para conhecer factos da maior importância relacionados com “A Génese”, a sua autoria e devir histórico, que inclui gravíssimas distorções da sua mensagem, agora felizmente esclarecidos.

É IMPORTANTÍSSIMO LER O TRABALHO INSERIDO

 

A vida depois da vida /1

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Estes blogues, nos últimos tempos, têm sido dirigidos aos visitantes  com perspectivas esclarecidas acerca da vida depois da morte. A partir de agora, a abrir, vão a ser apresentados textos de iniciação.
Vamos ler então uma apresentação do estudo da vida depois da morte.
Para quem queira conversar, pode recorrer ao e.mail espiritismo.cultura@gmail.com
ESTAMOS AO INTEIRO DISPOR

NOTA MUITO IMPORTANTE:
As pessoas que fazem este trabalho são estudiosos independentes, formaram-se por iniciativa pessoal em inteira liberdade.
NÃO PERTENCEM A NENHUMA ORGANIZAÇÃO RELIGIOSA OU DE QUALQUER OUTRO TIPO.
Este assunto é livre, a literatura informativa é abundante, de fácil acesso, e é culturalmente vantajoso abordar-se por iniciativa própria.

A vida depois da vida / 2

A compreensão natural da vida depois da morte e de outros factos relacionados com a transcendência já não dependem da crença, ou de qualquer predisposição religiosa, MUITO MENOS DOGMÁTICA.

 Com a abundância de dados científicos que existem, basta ter vontade e coragem intelectual, para enfrentar os dados existentes, tal como muitos que aqui são apresentados..

As provas evidentes de uma outra vida têm muito diversas áreas de afirmação científica. Vamos abrir com um caso especial e muito completo de “experiência de quase morte” (EQM), por serem conhecidos por todo o mundo milhões de casos recentes. São conhecidos, entretanto, um bom número de casos históricos que atingiram notoriedade mundial.

Há pessoas, vítimas de acidentes ou de outras situações limite, depois de uma comprovada morte clínica, com paragem cardíaca e paralização completa da actividade cerebral, que têm sido reanimados por processos agora crescentemente difundidos em acções de salvamento ou socorro de emergência hospitalar.
Do número total dessas pessoas, há cerca de 18% que se lembra da sua viagem ao outro lado da existência, com variável quantidade de recordações, mas inapagáveis. Mais do que isso: a ocorrência tem efeitos transformadores do carácter e das concepções de vida, libertando os protagonistas completamente do medo da morte!

O fenómeno em si é antiquíssimo, e pode ter ocorrido no passado por mera casualidade, mesmo sem a intervenção de recursos médicos.
Platão, num dos livros da República, descreve o “mito de Er”, o Arménio, Panfílio de nascimento, um soldado que “morre” e vem de novo a si, narrando a sua odisseia no além, duma forma em tudo compaginável com os actuais depoimentos das pessoas que passam por NDE’s (em inglês) EQM’s (em português) ou EMI’s (em francês)!

Há muitos registos desde a antiguidade, até textos na Bíblia que podem ser conotados com esta ordem de fenómenos e tantos outros depoimentos e casos ao longo da História, como o do notabilíssimo caso do sueco Emanuel Swedenborg (1688-1772).
Os casos deste tipo abundam em todo o mundo, inclusivé em Portugal, e temos um vizinho aqui onde vivemos, uma pessoa bem conhecida, com a qual se passou esse fenómeno.

O nosso vizinho e bom amigo é categórico: o medo da morte para ele deixou de existir, a sua confiança no futuro é, quanto isso, absolutamente tranquila!…

AO FUNDO APRESENTAMOS UM CONJUNTO DE TRÊS VÍDEOS COM UM DOS MAIS ESPANTOSOS CASOS DE QUE TIVEMOS CONHECIMENTO, PUBLICADO PELO CONHECIDÍSSIMO SITE BRASILEIRO “AFINAL O QUE SOMOS NÓS”.

Para já, é favor lerem o depoimento de Stefan von Jankovich, ele próprio protagonista de uma impressionante Experiência de Morte Iminente, em Setembro de 1964, inserido adiante neste blogue, bem como outras notícias insertas no menu respectivo.

É FAVOR CLICAR NA FRASE, PARA TER ACESSO AO DEPOIMENTO.

É favor clicar nas imagens para ter acesso aos vídeos.

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PERISPÍRITO – 2

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A IMPORTÂNCIA FUNDAMENTAL DO PERISPÍRITO

NOTA: este texto é a Nota final nº 72 da nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”

Ao ler o conteúdo de “O Livro dos Espíritos” e tudo o que ele nos diz a respeito da evolução dos seres humanos, já ficámos com uma ideia da “concentração de complexidades” que o nosso veículo perispiritual carrega consigo. A ciência atual, oferecendo-nos informações técnico-científicas que a experiência e os factos confirmam, ajuda-nos a construir uma imagem mais compreensível da sua verdadeira natureza e propriedades.

Apresentamos algumas ideias base, ponto de partida para as pesquisas que os leitores desejarem fazer:

  • Texto de Gabriel Delanne, Carlos de Brito Imbassahy, e Reinaldo di Lucia, importantes expoentes de épocas diversas da investigação científica relativa a temas de espiritismo;
  • A seguir ao texto de Carlos de Brito Imbassahy, por fazer parte dos investigadores que ele mesmo refere, fazemos alusão a um notável cientista norte americano, Harold Saxton Burr, que trabalhou em eletrodinâmica biológica e fez investigações acerca dos “campos de vida” (fields of life) e dos “agentes estruturadores”, termos e ideias fundamentais para a compreensão da natureza e funcionamento do perispírito.

Fragmentos de Gabriel Delanne:

“…Se realmente existe no homem um segundo corpo, que é o modelo inabalável pelo qual se ordena a matéria carnal, compreende-se que – apesar do turbilhão de matéria que se movimenta no corpo humano – se mantenha em nós o tipo individual que nos caracteriza, no meio das incessantes mutações resultantes da desagregação e da reconstituição de todas as partes do corpo, comparáveis a uma máquina à qual, a cada instante, se mudassem todas as suas partes constituintes. O perispírito é o regulador das funções, o arquiteto que vela pela manutenção do edifício, porque essa tarefa não pode depender essencialmente das atividades cegas da matéria.

Reflitamos sobre:

  • A diversidade dos órgãos que compõem o corpo humano;
  • Os tecidos que servem à construção dos órgãos;
  • A cifra prodigiosa de muitos triliões de células aglomeradas, que formam todos os tecidos;
  • O número colossal de moléculas do protoplasma;
  • E, enfim, a imensa quantidade dos átomos que constituem as moléculas orgânicas.

Achamo-nos em presença de um verdadeiro Universo, tão variado que ultrapassa em complexidade o que a imaginação possa conceber.

A maravilha é a ordem que reina nesses milhares de milhões de ações enredadas.

(…) Se no meio desse turbilhão existe um factor que permanece estável, é lógico que seja ele o organizador ao qual a matéria obedece. Esse factor é o perispírito, visto que é evidente a sua existência durante a vida, como é evidente que existe para além da morte. Os avanços no conhecimento das suas propriedades resultarão preciosíssimos no domínio da Fisiologia e da Medicina.

O que os antigos chamavam a “vis medicatrix naturae” é o mecanismo estável, incorruptível, sempre ativo, que defende o organismo contra as ações mecânicas, físicas, químicas e microbianas às quais está sempre sujeito, e que recompõe a cada instante a integridade do ser vivo quando é afetada.

Numa palavra, o corpo não é somente um aglomerado de células  justapostas: é um todo harmónico cujas partes constituintes têm funções bem definidas, subordinadas ao papel que desempenham no plano geral.

Claude Bernard (1813 – 1878) Fundador da Medicina Experimental

O perispírito é a realização física dessa “ideia diretora”, que o grande cientista CLAUDE BERNARD assinalou como a verdadeira característica da vida. Essa “ideia diretora” é também o “desígnio vital” que cada um de nós realiza e conserva ao longo de toda a sua existência…”

Texto pesquisado e traduzido a partir da obra “Documents pour servir à l’étude de la Réincarnation” (A Reencarnação). Paris: Éditions de la B.P.S, 1927.

Palavras de Carlos de Brito Imbassahy *

Breve citação de um texto visto no site Era do Espírito enviado a Ellio Mollo pelo autor no dia 2 de novembro de 2007; Tema, “O Perispírito ante a Psico-bio-física”

“…o “campo de vida” seria o que Kardec definiu como perispírito e o “agente estruturador” seria, portanto – e por correspondência – o Espírito encarnante.(.,,)

“… o campo pode ser definido como sendo a área física em torno de um agente qualquer sobre a qual sua ação é percebida. Exemplificando: em torno de uma fogueira há uma região em que seu calor é percebido; será, pois, o campo térmico da mesma. O íman é sempre o exemplo ideal porque em sua volta há uma região restrita de atração fora da qual ela não é sentida.”

“. A primeira característica de qualquer campo é a energia atuante e relacionada com o agente estruturador. O campo do imã tem a propriedade de aglutinar limalhas de ferro e níquel dando-lhes uma formação relacionada com o imã, criando imagens conhecidas como “linhas de força” do campo.

Temos aí uma ideia do que Kardec disse ao definir o perispírito como não sendo material, ou melhor, sendo semimaterial, porque teria esta propriedade aglutinadora de reunir a energia cósmica em si como o campo do imã quando atua sobre as aludidas limalhas.

Esta energia cósmica modulada por um agente físico que atua em determinada região em torno do seu agente estruturador é conhecida como sendo um dos estados físicos da energia fundamental. Assim, o conceito de “semimaterial” emitido à época de Kardec satisfaz plenamente às condições de conhecimento da atualidade. O perispírito só tem sentido porque é capaz de agir de forma semelhante, agregando energia cósmica em seu campo para poder atuar sobre as células orgânicas fetais no útero materno, quando no processo encarnatório.

  • campo do íman também é formado de energia agregada a ele, sem o que jamais atuaria sobre as limalhas.

Cabe lembrar que, na época de Kardec, não se conhecia a energia. O próprio Newton teria definido a energia cósmica fundamental como sendo um fluido, o FCU. Portanto, naquela época, não sendo material, só poderia ser considerado como “semimaterial”. Entenda-se, pois, desta forma, o conceito em apreciação.”

Propriedades do perispírito

(…) “…Rigorosamente coerente com o que Kardec informa em O Livro dos Médiuns e na Seleta de artigos da Revista Espírita, vamos chegar às seguintes conclusões obtidas pela verificação feita em laboratório com uso de aparelhos espectrográficos capazes de detetar o aludido “campo de vida”:

  • – O perispírito é elaborado pelo Espírito segundo suas necessidades junto ao mundo cósmico em que vá viver;
  • – É um campo quântico de natureza psíquica capaz de estruturar células orgânicas e formar corpos somáticos;
  • – Em decorrência da propriedade anterior, ele detém a condição de transmitir ao corpo dito somático as suas necessidades orgânicas decorrentes da vida que deva ter;
  • – Como tal, comparando-o ao campo de uma fita de gravador, ele pode interferir diretamente no corpo somático modulando-o para que ele se estruture segundo suas necessidades encarnatórias.
  • – No sentido inverso, ele pode gravar tudo o que o encarnante faça durante sua vida terrena, sendo o arquivo temporário das suas reações; dessa forma, nossas atitudes presentes podem se refletir nas vidas futuras e o “assim como fizeres, assim acharás” terá plena justificativa, lembrando que, como numa pilha elétrica, toda energia que emana de um polo volta para o outro, fechando o circuito; caso contrário, ela não circula pelo mesmo.
  • – Sendo transitório, como todo e qualquer campo, decorrente da ação indutora do agente, ele não poderá ser o registro de nossos atos, ou seja, a “memória inconsciente” freudiana, arquivo de todos os nossos atos passados, mas servirá de elo entre nossa vida encarnada e os demais campos e sistemas integrados do Espírito. – Do mesmo modo que um campo de um condutor elétrico se modifica de acordo com a corrente que passe por ele, também o perispírito será modulado pela índole ou variação de sentimentos do Espírito, motivo pelo qual este necessita de um ambiente compatível com a sua evolução para nele se encarnar, a fim de que seu perispírito possa atuar nas suas energias materiais.

O que se pode concluir é que tudo isso foi comentado por Kardec sem que, à sua época, se tivesse noção ou o conhecimento atual relacionado com um campo energético e principalmente, de natureza psíquica.”

* O Engenheiro e professor universitário Carlos de Brito Imbassahy é investigador espírita com formação científica, muito conhecido no universo espírita brasileiro, tem numerosos artigos e livros publicados a respeito do tema de que tratamos aqui. É filho de Carlos Imbassahy (1883-1969), advogado, jornalista e importante individualidade ligada ao espiritismo brasileiro.

– A Eletrodinâmica Biológica e a noção dos “campos de vida” e dos “agentes estruturadores” na obra de Harold Saxton Burr (citado em textos da autoria de Carlos de Brito Imbassahy).

Harold Saxton Burr (1889-1973)
cientista norte americano não espírita, não foi o único investigador a ter interesse por estes temas e a estudá-los.

Na linguagem dos homens de ciência é possível afirmar que tudo o que existe, visível ou invisível, obedece ao potencial organizador de “campos de vida”, “agentes estruturadores” ou “FRAMEWORKERS”.

Harold S. Burr foi professor da “Yale University School of Medicine”, na área da neuroanatomia e da eletrodinâmica biológica. As suas principais áreas de estudo foram: “A teoria eletrodinâmica da vida”; “As características elétricas dos sistemas vivos” e “A comprovação da existência de campos eletrodinâmicos nos organismos vivos”.

Há três obras suas bastante marcantes: “A Natureza do Homem e o Significado da Existência”, “Projeto para a Imortalidade” e “Os Campos de Vida, as Nossas Ligações com o Universo”.

Na sua obra “A Natureza do Homem e o Significado da Existência” de 1962, a que tivemos acesso online, conclui de forma muito expressiva, e com argumentos científico-filosóficos, pela existência de DEUS.

Recomendamos vivamente a leitura desta obra, que pode ser consultada online, e descarregada, página a página, pelo menos nos “sites” de duas bibliotecas universitárias dos EUA.

O Perispírito / Uma abordagem do século XX

Reinaldo Di Lucia *

Incluímos esta breve citação do investigador aqui referido, por ser o documento mais recente que conseguimos encontrar, de fonte espírita, com referências científicas, a respeito do perispírito. Com efeito foi publicado no site do Instituto Cultural Kardecista de Santos em 5 de setembro e 10 de outubro de 2016, como atualização de outro artigo do mesmo autor e com o mesmo título, publicado em outubro de 2002 no Caderno Cultural Espírita.

“…Dentre todos os continuadores do pensamento de Allan Kardec, Delanne é o que maior importância atribui ao perispírito. Provavelmente, isto se dá na medida em que é de grande dificuldade para qualquer pessoa adepta ao positivismo, aceitar que o Espírito, este ser imaterial e, para muitos, puramente abstrato, possa ser o princípio de todas as manifestações intelectivas do homem.

Assim, ele vai atribuir ao perispírito uma gama significativa de funções relativas à organização ou mesmo às capacidades inteligentes do ser humano. As principais funções cujas bases são por ele atribuídas ao perispírito são sumariamente descritas abaixo.

Primeiramente, temos a formação do corpo físico. Delanne depara-se com o problema de explicar como o corpo físico pode ser formado com tantos detalhes e reconstruído, com a mesma semelhança, sempre que certas partes são destruídas. Lança mão então da explicação perispiritual:

A força vital por si só não bastaria para explicar a forma característica de todos os indivíduos, e tampouco justificaria a hierarquia sistematizada de todos os órgãos, sua sinergia em função de um esforço comum, visto serem eles, simultaneamente, autónomos e solidários. Neste ponto é que incide o ascendente da intervenção do perispírito, ou seja, de um órgão que possua as leis organogenéticas, mantenedoras da fixidez do organismo, através de constantes mutações moleculares.”

O perispírito é então, em sua opinião, o modelo fluídico, o molde que servirá para construir o corpo físico. Como veremos, esta também é a opinião de Hernâni Guimarães, atualizando o raciocínio a partir de recentes descobertas científicas.

A grande preocupação desse pensador, para atribuir ao perispírito o papel de molde do corpo está na explicação da forma. Enquanto que ele podia perfeitamente admitir uma força vital primária idêntica para todos os seres vivos, desde a planta até o homem, pressupunha que deveria existir uma outra força que diferenciasse as muitas espécies no que tange à sua forma. Essa força seria o perispírito.

Em segundo lugar, Delanne dá ao perispírito um papel psicológico fundamental. Para ele, o perispírito é a base da memória do homem, a qual, por sua vez, é fundamental para a asseguração contínua de sua identidade.

Ele baseia esta opinião sobre a ideia que, mais que qualquer outra célula do corpo humano, as do cérebro são substituídas rapidamente, o que impossibilitaria a manutenção, neste órgão, da memória.

“O cérebro, porém, muda perpetuamente, as células dos seus tecidos são incessantemente agitadas, modificadas, destruídas por sensações vindas do interior e exterior. Mais do que as outras, essas células submetem-se a uma desagregação rápida e, num período assaz curto, são integralmente substituídas.”

Partindo do principio acima descrito, o eminente pensador espírita debita ao perispírito a função da memória, já que esta não poderia ser unicamente do corpo. Em sua tese, qualquer facto guardado pela memória é registrado no perispírito. Quando uma célula cerebral morre, é substituída por outra formada pelo mesmo perispírito, que lhe imprimirá, qual disco gravado por uma matriz, as mesmas impressões que ele próprio guarda. Fica assim resguardada a memória.

Ideias semelhantes a essas são igualmente defendidas por Léon Denis e Gustave Geley, em vários dos seus livros, o que nos dá a impressão que eram bastante difundidas no meio espirita à época – apesar de não terem sido defendidas por Kardec em sua obra.

(•••)

Em resumo, as principais ideias sobre o perispírito expostas por estes eminentes pensadores, e ainda hoje bastante difundidas no movimento espírita são:

O perispírito é um envoltório do espírito, que o acompanha desde a sua criação e, portanto, preexistente ao nascimento e sobrevive à morte do corpo físico. É composto de matéria, porém, em nível diferente daquela a que os encarnados estão acostumados. Kardec afirma ser uma matéria “quintessenciada”, obtida por modificação direta do fluido cósmico (que é a matéria primordial), contendo ainda elementos do princípio vital e mesmo de componentes físicos e eletromagnéticos.

A sua composição energética é tanto mais densa, ou menos subtil, quanto menos evoluído (do ponto de vista intelectual e moral) for o espírito. Com a evolução deste, vai-se tornando mais subtil, ainda que não se saiba ao certo o que isto significa fisicamente, mas sempre acompanha o espírito.

É totalmente sujeito à vontade do espírito, que pode plasmá-lo a seu gosto e dar-lhe a forma que

Serve como elemento de ligação entre o espírito e o corpo físico, uma vez que um e outro não podem interagir diretamente devido à diferença estrutural entre ambos.

É o elemento que possibilita a manutenção de uma forma para o espírito desencarnado e, assim, permite que este possa identificar-se como uma individualidade.

É o princípio fundamental das manifestações mediúnicas, em especial daquelas caracterizadas como efeitos físicos.

É o molde do corpo físico, uma forma que conteria os elementos informacionais que permitiriam a sua formação e a sua manutenção. Esta função também é a única forma de adequar o surgimento da vida à Segunda Lei da Termodinâmica.

É a sede dos sentimentos e das faculdades, notadamente da memória. Por vezes, é apontado como sede da inteligência.

Possui órgãos e células, como o corpo físico. Este, aliás, é uma cópia daquele.

Reinaldo di Lucia *

(Nota curricular provavelmente desatualizada e inexata)

Engenheiro Químico formado pela Faculdade de Engenharia Industrial, FEI, S.Bernardo,SP; professor universitário, com especialização em Qualidade na Fundação Getúlio Vargas, Reinaldo Di Lucia tem formação em MBA executivo em Gestão Empresarial também pela FGV e pós-graduação em Engenharia de Qualidade pela Faculdade de Engenharia Industrial. Reinaldo di Lucia, da cidade de Santos, Brasil, é membro do Centro                  de Pesquisa    e Documentação Espírita- CPDoc e colunista do Jornal Abertura, mantido pelo Instituto Cultural Kardecista de Santos-ICKS, em que trata de assuntos  contemporâneos sob a ótica progressista do espiritismo.

Este artigo está disponível em formato PDF para todos os nossos prezados leitores, aqui:

A IMPORTÂNCIA FUNDAMENTAL DO PERISPÍRITO 02

O que realmente acontece quando se morre

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Este género de publicações dirige-se a um largo número de visitantes que tem o conhecimento de línguas estrangeiras. Estas entrevistas abordam temas fundamentais nos dias de hoje e não posso, infelizmente, incluir traduções de todas elas

What Really Happens When You Die

– Interview with Peter Fenwick
Peter Fenwick (born 25 May 1935) is a neuropsychiatrist and neurophysiologist who is known for his pioneering studies of end-of-life phenomena.
In this interview he talks about near-death-experiences (NDE), death-bed-visitors and how we can achieve a good death.
NDE research is at the cutting edge of consciousness research and offers a convincing model for the understanding of what happens when we die.
Peter Fenwick describes the different transitional phases of the dying process and highlights the importance of letting go at the end of ones life.

He offers fascinating insights into common phenomena at the end of life, such as premonitions, seeing a light, death-bed-visions and coincidences.

In his opinion everybody should know about death and the dying process, because it is a normal part of living.



Rupert Sheldrake / entrevista

Ateísmo, Espiritualidade e Consciência

Galileo Commission adviser Rupert Sheldrake joins Umar & Tahir Nasser, two UK-based doctors and founders of Rational Religion and the In Dialogue podcast.


In this interview with the “world’s most controversial scientist,” Rupert Sheldrake takes us on the journey of his life – from a sceptical undergraduate to a ground-breaking scientist.

Rupert Sheldrake, who gave the famous ‘banned TED talk’, and recently seen on the Joe Rogan podcast and Russell Brand’s ‘Under the Skin’ Podcast, joins Rational Religion for a discussion on atheism, spirituality, and consciousness.

In Dualogue Ep. 5, the author of “The Science Delusion” and “Science and Spiritual Practices,” and originator of the ‘morphic resonance’ theory, discusses the big questions he encountered along the way.

In Dialogue brings you fresh perspectives from a range of diverse voices challenging the status quo in science and society.

A indesmentível realidade das reencarnações!….

A vida para além da morte está cabalmente provada pela absoluta evidência da vida antes da vida!…


Se observarmos uma qualquer criança pequenina no dia a dia dos seus primeiros meses ou anos de vida, poderemos notar  que revela de forma evidente ter guardada na sua capacidade de ver e de sentir uma vastíssima e complexa memória de percepções e sentimentos baseados em muitas vidas já vividas.


É impossível que a inteligência afectiva, os recursos de ordem prática e todas as variadíssimas reacções  de carácter intelectual objectivo e subjectivo possam ter sido achados e desenvolvidos por acaso, sem memórias muito anteriores ao seu respectivo nascimento.


É evidente que o materialismo dogmático vai poder encontrar razões unicamente materiais e orgânicas para tudo isso…


Onde as coisas podem atingir uma incompreensível e inatingível complexidade é nos casos como o dos meninos  Tsung Tsung, Evan Le, Shinichi Nakamoto, e Anna Lee, tocando Paganini… solista de orquestra! abaixo documentados, por tantas e tão intrincadas razões que não ousamos (nem é preciso…) enumerá-las.

 

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