Alexandre Herculano, Herculano Pires e a memória da Humanidade

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“Aquellos que no recuerdan el pasado, están condenados a repetirlo.”
― George Santayana

Não é possível avaliar certos factos importantes da vida, nem discutir as ideias, os princípios morais e a natureza das relações colectivas sem cultivar a memória culta dos povos.
A História é a ciência que regista os caminhos que a Humanidade foi trilhando e quais os bons e os maus passos que foi dando. Recordar com inteligência as figuras, os factos e os exemplos mais marcantes que configuraram a alma colectiva é o primeiro passo para o progresso de todos e de tudo.
Esquecer é deitar fora tesouros valiosíssimos da experiência, é correr o risco de estar sempre a regressar aos mesmos erros, facto que acontece com lamentável frequência.
A esse respeito vem muito a propósito falar daqueles que souberam defender a memória como património da Humanidade, alicerce principal das condutas individuais e colectivas.

Os povos, os países, as culturas de qualquer género são aquilo que for a memória que os habita, que os ilumina e que os conduz.

Vou recordar dois homens importantes e moralmente marcantes nos países em que viveram, visto que o exercício de relembrar os bons exemplos é a parte que toca aos cidadãos no trabalho muito sério de reforçar e valorizar a memória.

JHPir

Falo de José Herculano Pires, individualidade que, em meio espírita, não é necessário apresentar e de um outro insigne HERCULANO, desta vez a excepcional figura de escritor, investigador e cidadão português que foi Alexandre Herculano.
A associação entre estes dois nomes não é apenas derivada da presença comum do nome “Herculano”.

Entre não crentes, aqueles que só levam em conta aquilo que é trivialmente imediato, o pouco que tocam com as mão e alcançam com a vista, esse facto não passará de uma mera coincidência ou pura casualidade.
Os espíritas, habituados a entender e estudar toda a outra maior parte do Universo, aquela que não se revela através dos nossos limitadíssimos cinco sentidos, para esses, o campo da pesquisa é muito mais extenso e as hipóteses de compreensão muito mais numerosas.

Chamo pois a atenção dos leitores para a obra de Jorge Rizzini: “J. Herculano Pires, o Apóstolo de Kardec – o Homem, a Vida, a Obra”, na qual traça a biografia do prestigiado professor, também seu grande amigo.
Ali se tece uma relação especialíssima entre esses dois homens de memória qualificada que é mais do que a de simples familiaridade, um dos tais elos misteriosos engendrados pela trama admirável da sucessão das vidas.
Leiamos pois algumas linhas da citada obra de Rizzini, a respeito das impressões que trocara com Herculano Pires a respeito da sua anterior encarnação e que era para guardar em segredo, pelo menos enquanto fosse vivo:

“…Herculano Pires, certamente tomado por um súbito sentimento de pejo, não revelou o nome que tivera na existência anterior em Portugal, mas anos depois de sua desencarnação pesquisei a vida dos grandes vultos da literatura lusitana do século XIX e descobri inúmeros pontos de contato (a começar pelo nome) entre ele e o célebre jornalista, romancista, poeta e historiador Alexandre Herculano, o qual ao tempo de Allan Kardec se exilara na França. O mesmo caráter impoluto e inflexível; o sentimento religioso; a oposição ao clero; o amor à literatura, particularmente à poesia e ao romance; e, sobretudo, a fidelidade à verdade.
A propósito da extremada fidelidade à verdade, medite o leitor sobre o seguinte texto, mas procurando descobrir se o autor é o Herculano nascido em Portugal ou o brasileiro:

“Quando a justiça de Deus põe a pena na destra do historiador, ao passo que lhe põe na esquerda os documentos indubitáveis de crimes que pareciam escondidos para sempre debaixo das lousas, ele deve seguir avante sem hesitar, embora a hipocrisia ruja em redor, porque a missão do historiador tem nesse caso o que quer que seja de divina.”

(Texto extraído do volume terceiro, página 192, da obra Opúsculos, de Alexandre Herculano (autor, inclusive, da História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal).

Parece-nos evidente tratar-se de um só Espírito.
As informações sobre a reencarnação de Herculano Pires foram por mim guardadas, sigilosamente, durante décadas. Somente dias atrás, em conversa com Heloísa Pires, referi-me à pesquisa, mas antes que lhe revelasse o resultado ela exclamou sorrindo:
– Meu pai é a reencarnação de Alexandre Herculano. O pai, certa vez, comentou isso!
Não foi, pois, por outra razão que quatro anos antes da desencarnação Herculano Pires redigira um extenso e belo artigo exaltando sua antiga pátria e o renascimento do movimento espírita lusitano.
Vide a revista “Estudos Psíquicos”, de Lisboa, edição de junho de 1975.
Não estamos, porém, dogmatizando, mesmo porque o julgamento final cabe, evidentemente, ao leitor.”

Como forma de coroar a ideia de que a memória é um apetrecho fundamental na cultura do aperfeiçoamento das sociedades, nada melhor que publicar, em complemento coerente com o direito (e o dever…) de enriquecer a memória, uma das mais notáveis, entre todas as outras muito notáveis obras de Alexandre Herculano, mas de que se fala pouco:

História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal – 1854-1859

inserção que me foi sugerida pela própria referência que foi feita por Jorge Rizzini na parte do texto que acima está inserido. Clicar no texto a seguir, para ter acesso ao livro:

História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal
(1854/1859)/Alexandre Herculano (1810-1877)
Nona edição definitiva conforme com as edições da vida do autor
dirigida por David Lopes (1867-1942)/Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Homenagem ao generoso sentido de partilha do povo brasileiro

Faço aqui uma muito singela homenagem à vitalidade participativa e à grande generosidade de partilha dos brasileiros.
A inserção desta obra nesta página foi tornada mais fácil e vantajosa devido ao enorme trabalho que os brasileiros desenvolvem em torno da partilha de livros e outros documentos, da sua e de outras culturas – que neste caso são muitíssimo beneficiadas – como é o caso da cultura portuguesa, em muitíssimos aspectos.

Esta edição da referida obra de Alexandre Herculano também pode ser consultada em Portugal, numa edição antiga, nomeadamente no muito vasto site  da Biblioteca Nacional de Portugal.
A edição que preferi foi encontrada num site generosíssimo de partilha de livros:

http://www.ebooksbrasil.org

porque a edição em causa, além de nos oferecer  a obra em si, também tem carácter informativo quanto ao direito livre ao seu acesso, para efeitos não comerciais e de divulgação cultural, como é este caso. Inclui também a abrir uma breve apresentação biográfica do autor, o que tem interesse.

AH Inq.

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Palestra de Sérgio Aleixo sobre José Herculano Pires


Palestra de Sérgio Aleixo sobre José Herculano Pires

José Herculano Pires

e a obra de sua autoria
“Curso Dinâmico de Espiritismo/O Grande Desconhecido”


Semana de Kardec, Abril de 2009

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Organizada pela Comunidade Espírita “A Casa do Caminho”, de Juiz de Fora, Minas Gerais/BRASIL

Sérgio Aleixo
Natural do Rio de Janeiro, Sérgio Fernandes Aleixo (n. 18/10/1970) é graduado e licenciado em Língua e Literatura de Língua Portuguesa pelas Faculdades de Letras e de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990-1995). De família lusa, foi católico até os dezoito anos, quando leu, de Allan Kardec, “O Livro dos Médiuns”. Abraçando a Causa do Espiritismo, tornou-se palestrante, escritor e, fundamentalmente, um pesquisador espírita.
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NOTA: O texto seguinte é uma síntese, com grafismos e realces da responsabilidade do autor deste blogue, da apresentação feita em jeito de prefácio na versão do livro disponível na internet que não indica qual o seu autor.

PARA TER ACESSO À PALESTRA, CLICAR NO LINK QUE ESTÁ COLOCADO AO FUNDO, recomendando-se entretanto uma cuidadosa leitura do texto abaixo publicado.

O GRANDE DESCONHECIDO

Todos falam de Espiritismo, bem ou mal. Mas poucos o conhecem. Geralmente consideram-no como uma seita religiosa comum, carregada de superstições. Muitos o vêem como uma tentativa de sistematização de crendices populares, onde todos os absurdos podem ser encontrados.

(…)

E na verdade os seus próprios adeptos não o conhecem.

(…)

O Espiritismo, nascido ontem, nos meados do século XIX, é hoje o Grande Desconhecido dos que o aprovam e o louvam e dos que o atacam e criticam. Durante muito tempo foi encarado com pavor pelos religiosos, que viam nele uma criação diabólica para perdição das almas.

(…)

Quando começaram a surgir os hospitais espíritas para doenças mentais, alegaram que os espíritas procuravam curar loucos que eles mesmos faziam para aliviar suas consciências pesadas. E quando viram que o Espiritismo realmente curava loucos incuráveis, diziam que os demónios se entendiam entre si para lograr o povo.

Hoje a situação mudou. Existem sociedades de médicos espíritas e as pesquisas de fenómenos mediúnicos invadiu as maiores Universidades do Mundo. Não se pode negar que a coisa é séria, mas definir o Espiritismo não é fácil. Porque ninguém o conhece, ninguém acredita que se precisa estudá-lo, pensam quase todos que se aprende a doutrina ouvindo espíritos.

(…)

Não obstante, o Espiritismo é uma doutrina moderna, perfeitamente estruturada por um grande pensador, escritor e pedagogo francês, homem de letras e ciências, famoso por sua cultura e seus trabalhos científicos e que assinou suas obras espíritas com o pseudónimo de Allan Kardec.

Saber isso já é saber alguma coisa a respeito, mas está muito longe de ser tudo.

Doutrina complexa, que abrange todo o campo do Conhecimento, apresenta-se enquadrada na sequência epistemológica de:

a) Ciência – como pesquisa dos chamados fenómenos paranormais, dotada de métodos próprios, específicos e adequados ao objecto que investiga, tendo dado origem a todas as ciências do paranormal, até à Parapsicologia actual e seu ramo romeno, que se disfarça sob o nome pouco conhecido de Psicotrónica, para não assustar os materialistas.

b) Filosofia – como interpretação da natureza dos fenómenos e reformulação da concepção do mundo e de toda a realidade segundo as novas descobertas científicas; aceite oficialmente no plano filosófico, consta do “Dicionário Filosófico do Instituto de França”; no Brasil, reconhecida pelo Instituto Brasileiro de Filosofia, consta do volume “Panorama da Filosofia em São Paulo”, edição conjunta do Instituto e da Universidade de São Paulo, coordenação do Prof. Luiz Washington Vitta.

c) Religião – como consequência das conclusões filosóficas, baseadas nas provas da sobrevivência humana após a morte e nas ligações históricas e genésicas do Cristianismo com o Espiritismo; considerado como a Religião em Espírito e Verdade, anunciada por Jesus, segundo os Evangelhos; religião espiritual, sem aparatos formais, dogmas de fé ou instituição igrejeira, sem sacramentos.

Essa sequência — obedece às leis da Gnosiologia, pelas quais o conhecimento começa nas experiências do homem com o mundo e se desenvolve nas ilacções do pensamento, na cogitação filosófica e determina o comportamento humano dentro do quadro da realidade conhecida; como no Espiritismo essa realidade supera os limites da vida física, a moral projecta-se no plano das relações do homem com a Divindade, adquirindo sentido religioso.

Colocado assim o problema, a complexidade do Espiritismo torna-se facilmente compreensível:

  • Tudo no Universo se processa mediante a acção e o controle de leis naturais, que correspondem à imanência de Deus no Mundo através de suas leis;
  • Toda a realidade verificável é natural, de maneira que os espíritos e suas manifestações não são sobrenaturais, mas fatos naturais explicáveis, resultantes de leis que a pesquisa científica esclarece;
  • O Sobrenatural só se refere a Deus, cuja natureza não é acessível ao homem neste estágio de sua evolução, mas o será possivelmente, quando o homem atingir os graus superiores de sua evolução;
  • Todas as possibilidades estão abertas e franqueadas ao homem em todo o Universo, desde que ele avance no desenvolvimento de suas potencialidades espirituais, segundo as leis da transcendência.

Ainda a respeito de “Curso Dinâmico de Espiritismo/O Grande Desconhecido”

Este volume procura dar uma visão geral do Espiritismo em forma de exposição livre, sem um esquematismo didáctico, mostrando as conotações da Doutrina com as posições culturais da actualidade.

Não se trata da suposta actualização tentada por autores que desconhecem as dimensões do Espiritismo e não podem relacioná-la com os avanços científicos, tecnológicos, filosóficos e religiosos da actualidade.

A actualização, no caso, é do método expositivo, que revela a plena actualidade da Doutrina e desenvolve alguns temas kardecianos em forma de exposição mais minuciosa, para melhor compreensão dos leitores.

A actualização da linguagem e da terminologia doutrinárias nas obras de Kardec é uma pretensão descabida.

Cada doutrina, científica ou filosófica, tem a sua própria terminologia, que só se transforma diante de novos fatos ocorridos na pesquisa. Por outro lado, essas actualizações, como sabem os especialistas, geralmente transformam-se em atentados à doutrina, pela falta de conhecimento dos que pretendem fazê-las. Uma doutrina actualiza-se na proporção em que evolui, com acréscimos reais de conhecimentos no desenvolvimento de seus princípios.

Não existe, no mundo actual nenhum centro de pesquisas e estudos espíritas que tenha avançado de forma legítima além de Kardec, através da descoberta de novas leis da realidade espírita.

O Espiritismo avança, pelos seus princípios e os seus conceitos, muito além da realidade actual.

E mesmo que não avançasse, ninguém teria o direito de interferir na obra de Kardec, como na obra de qualquer outro cientista.

É livre o direito de contestar através de outras obras, mas não há direito nenhum que permita a um pinta-monos desfigurar as obras clássicas da cultura mundial.

Os capítulos deste livro correspondem a exposições doutrinárias feitas pelo autor em várias ocasiões, em palestras feitas com debates, até mesmo em numerosas Faculdades de Teologia católicas e protestantes, bem como em debates de televisão.

Por isso, são capítulos escritos em linguagem livre, dando ao leitor a possibilidade de discutir os problemas consigo mesmo, tentando refutar as teses expostas.

Esperamos que os meios espíritas, particularmente aproveitem estes capítulos para uma incursão mais corajosa nas possibilidades de conhecimento que o Espiritismo nos oferece em todos os campos das actividades humanas e em face dos múltiplos problemas que nos desafiam nesta hora de transição da cultura humana.

São anos de estudos, experiências, investigações e intuições espirituais que se acumulam nestas páginas, ao correr das teclas, mas sob rigoroso controlo da razão. Que no Espiritismo tudo deve ser rigorosamente submetido a apreciações e críticas racionais.

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